terça-feira, 7 de junho de 2016

AVALIAÇÃO – 2º Ano - Filosofia - II Bimestre - CTPM

Olá pessoal!
Das questões aqui divulgadas, algumas entrarão na avaliação do 2º bimestre.
Bons estudos!
1. (Uem 2013)  “Ao criticar o mito e exaltar a ciência, contraditoriamente o positivismo fez nascer o mito do cientificismo, ou seja, a crença cega na ciência como única forma de saber possível. Desse modo, o positivismo mostra-se reducionista, já que, bem sabemos, a ciência não é a única interpretação válida do real. De fato, existem outros modos de compreensão, como o senso comum, a filosofia, a arte, a religião, e nenhuma delas exclui o fato de o mito estar na raiz da inteligibilidade. A função fabuladora persiste não só nos contos populares, no folclore, mas também na vida diária, quando proferimos certas palavras ricas de ressonâncias míticas – casa, lar, amor, pai, mãe, paz, liberdade, morte – cuja definição objetiva não esgota os significados que ultrapassam os limites da própria subjetividade.”
(ARANHA, M. L.; MARTINS, M. H. P. Filosofando: introdução à filosofia. 4ª. ed. rev. São Paulo: Moderna, 2009, p. 32)
A partir do trecho citado, assinale o que for correto.
01) Ao contrário da ciência, o senso comum, a religião e a filosofia refletem uma imagem incompleta e precária do real.   
02) O mito do cientificismo é a aplicação do rigor formal do método científico à dança, à música e a diversas outras formas de expressão popular.   
04) O positivismo utiliza o inconsciente e o mito como forma de expressão do mundo.   
08) Explicações de caráter mítico, apesar de pertencerem ao período antigo, sobrevivem na modernidade.   
16) A função fabuladora recupera aspectos do mito que se distinguem da razão e do método científico.   
  
2. (Unicentro 2012)  Sobre o positivismo, é correto afirmar que é uma doutrina
a) do século II a.C.   
b) que acolhe os postulados socráticos.   
c) que privilegia o estudo metafísico da natureza.   
d) que não decorreu do desenvolvimento das ciências modernas.   
e) nascida no ambiente cientificista nos finais do século XVIII e início do século XIX.   
3. (Uff 2012)  O positivismo foi um sistema filosófico criado no século XIX por Augusto Comte e que exerceu grande influência no Brasil, especialmente entre militares, médicos, cientistas e em algumas correntes de republicanos que participaram diretamente da proclamação da República e ocuparam postos de governo no início do novo regime.

Dentre as inovações adotadas no início do regime republicano brasileiro sob influência de ideias positivistas estão
a) sufrágio universal, direito de voto do analfabeto e das mulheres.   
b) estatização das fábricas, coletivização da agricultura e partido único.   
c) liberdade sindical, leis trabalhistas e salário-mínimo.   
d) separação da igreja e do estado, liberdade religiosa e casamento civil.   
e) indenização aos proprietários de escravos, desestímulo à pequena propriedade e abolição de impostos rurais.   
4. (Uem 2010)  Um dos elementos fundamentais da Filosofia contemporânea é o contexto de crise da razão. Nela, criticam-se pilares da racionalidade moderna, como a ideia de fundação do conhecimento a partir do sujeito, e a possibilidade de uma ação moral universal. Com base na afirmação acima, assinale o que for correto.
01) Sören Kierkegaard (1813-1885), precursor do existencialismo cristão, fez críticas severas à Filosofia moderna, pois nela o ser humano não aparece como ser existente, mas reduzido ao conhecimento objetivo.   
02) Friedrich Nietzsche (1844-1900), ao perguntar sobre o valor dos valores, não representa uma novidade na maneira de formular as questões da Filosofia, sobretudo ao propor o movimento genealógico.   
04) Sigmund Freud (1856-1939), fundador da Psicanálise, evidencia o papel da racionalidade da consciência e da unidade do eu, estabelecendo, para determinar as pulsões, a análise sintética a priori.   
08) Michel Foucault (1926-1984) introduz, no cenário filosófico, o conceito de microfísica do poder, isto é, a fragmentação do sujeito em torno de um núcleo teórico unívoco, tanto moral quanto epistêmico.   
16) A Escola de Frankfurt utiliza-se da razão instrumental para criticar os céticos e fundamentar, em novas bases, o cientificismo.   
5. (Ueg 2015)  Para Marx, diante da tentativa humana de explicar a realidade e dar regras de ação, é preciso considerar as formas de conhecimento ilusório que mascaram os conflitos sociais. Nesse sentido, a ideologia adquire um caráter negativo, torna-se um instrumento de dominação na medida em que naturaliza o que deveria ser explicado como resultado da ação histórico-social dos homens, e universaliza os interesses de uma classe como interesse de todos. A partir de tal concepção de ideologia, constata-se que
a) a sociedade capitalista transforma todas as formas de consciência em representações ilusórias da realidade conforme os interesses da classe dominante.   
b) ao mesmo tempo que Marx critica a ideologia ele a considera um elemento fundamental no processo de emancipação da classe trabalhadora.   
c) a superação da cegueira coletiva imposta pela ideologia é um produto do esforço individual principalmente dos indivíduos da classe dominante.   
d) a frase “o trabalho dignifica o homem” parte de uma noção genérica e abstrata de trabalho, mascarando as reais condições do trabalho alienado no modo de produção capitalista.   
6. (Ueg 2015)  A reflexão sobre o poder político acompanhou a história da filosofia desde a antiguidade e o pensamento sociológico desde seu surgimento na sociedade moderna. Nos últimos anos vêm ocorrendo diversas manifestações, protestos e revoltas em todo mundo. A esse respeito, com base no pensamento filosófico e sociológico, verifica-se que
a) esses processos revelam a incompetência do Estado em ser o “cérebro da sociedade”, o que confirma as teses de Durkheim.   
b) essas ações coletivas podem ser interpretadas como processos derivados da expansão de uma ética protestante, confirmando as análises de Weber.   
c) os movimentos contestadores atuais expressam um processo de vontade de potência que é corroborado pela filosofia kantiana.   
d) as lutas sociais contemporâneas revelam as contradições da sociedade capitalista, o que estaria de acordo com a teoria de Marx.
7. (Uem 2012)  “Marx e Hegel têm em comum a crítica à exacerbação do individualismo egoísta moderno, bem como das suas consequências, porém discordam quanto às possibilidades de solução da questão. Um dos elementos fundamentais desse debate é a questão da soberania política”
(MARÇAL, Jairo (org.). Antologia de textos filosóficos. Curitiba: SEED – PR, 2009, p.466.).
Sobre as relações entre indivíduo e Estado, assinale o que for correto.
01) Karl Marx considera que a emancipação humana realizar-se-á na sociedade comunista, pois, nessa sociedade, o indivíduo não será mais submetido a um Estado e à divisão social do trabalho, podendo, dessa forma, passar do reino da necessidade ao reino da liberdade.   
02) Para Karl Marx, a liberdade do indivíduo, como concebida pelo Estado burguês, não passa de um formalismo jurídico; é uma ficção da lei, pois o indivíduo só pode ser livre quando a esfera da produção estiver sujeita ao controle daqueles que produzem.   
04) Para G. W. Friedrich Hegel, o Estado deveria ser substituído pela sociedade civil, pois essa pode representar os interesses coletivos e é capaz de garantir os interesses de cada indivíduo.   
08) G. W. Friedrich Hegel critica as teorias políticas contratualistas, segundo as quais os indivíduos isolados abandonam o estado de natureza para se reunirem em sociedade, por meio de um pacto, a fim de formar artificialmente o Estado e garantir a liberdade individual e a propriedade privada.   
16) A filosofia política de Karl Marx fundamenta-se numa nova antropologia, segundo a qual a natureza humana varia historicamente, pois o indivíduo se produz à medida que transforma a natureza pelo trabalho dentro de certas relações sociais de produção.   
8. (Ufu 2004)  Leia o fragmento abaixo, de Karl Marx.
“Com o próprio funcionamento, o processo capitalista de produção reproduz, portanto, a separação entre a força de trabalho e as condições de trabalho, perpetuando, assim, as condições de exploração do trabalhador. Compele sempre o trabalhador a vender sua força de trabalho para viver, e capacita sempre o capitalista a comprá-la.”
MARX, K. O capital, Livro I, O processo de produção do Capital [Vol. II]. Trad. de Reginaldo Sant.Anna. 11.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1987, p. 672.
De acordo com o filósofo alemão, a condição do trabalhador na economia capitalista clássica é

I. de realização plena da sua capacidade produtiva, alcançando a autonomia financeira e a satisfação dos valores existenciais tão almejados pela humanidade, desde os primórdios da história.
II. de alienação, pois os trabalhadores possuem apenas sua capacidade de trabalhar, que é vendida ao capitalista em troca do salário, por isso, a produção não pertence ao trabalhador, sendo-lhe estranha.
III. de superação da sua condição de ser natural para tornar-se ser social, liberto graças à divisão do trabalho, que lhe permite o desenvolvimento completo de suas habilidades naturais na fábrica.
IV. de coisa, isto é, o trabalhador é reificado, tornando-se mercadoria, cujo preço é o salário, ao passo que as coisas produzidas pelo trabalhador, na ótica capitalista, parecem dotadas de existência própria.
Assinale a alternativa que apresenta as assertivas corretas.
a) II e IV   
b) I e II   
c) II e III   
d) III e IV   
  9. (Ufu 2002)  O filósofo alemão Karl Marx (1818-1883) afirmou que a totalidade “das relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se levanta uma superestrutura jurídica e política”.
MARX, Karl. Para a crítica da economia política. Coleção “Os Pensadores”. São Paulo: Abril Cultural, 1987, pp: 29-30.
Considerando a afirmativa de Karl Marx, assinale a alternativa correta.
a) O capitalismo industrial tornou-se realidade efetiva porque não existiu nenhuma contradição entre suas forças produtivas com as antigas relações de produção.   
b) No capitalismo, o desenvolvimento das forças produtivas conduz a classe operária à realização da liberdade, ou seja, ao reino da felicidade.   
c) É a consciência dos homens que determina o seu ser, pois as condições materiais são apenas contingências históricas que independem das forças materiais.   
d) O modo de produção da vida material determina as condições concretas em geral de vida social, política e espiritual

domingo, 1 de maio de 2016

quinta-feira, 21 de abril de 2016

POSITIVISMO NO BRASIL II

O texto a seguir é uma adaptação de vários textos disponíveis na internet e que utilizaremos para nossos estudos em sala de aula.
Quando, no século XIX, Auguste Comte elaborou o Positivismo, talvez jamais tenha pensado que não a Europa, mas um país sul-americano é onde germinariam suas ideias.
Durante o Segundo Império, por volta de 1850 as ideias positivistas chegaram ao Brasil, trazidas por brasileiros que foram completar seus estudos na França.
Foi no Rio de Janeiro, que o Positivismo desempenha um papel central tanto no processo de Abolição da Escravatura quanto no de Proclamação da República no Brasil, destacando-se o coronel Benjamim Constant (homenageado como o “Fundador da República Brasileira”
O positivismo influenciou especialmente a alta oficialidade do exército e algumas camadas da burguesia brasileira, que se empenharam no movimento republicano no final do século XIX. Toda a alta oficialidade havia virado as costas ao imperador D Pedro II, acreditando que eles eram os únicos preparados para governar o país de forma eficiente. Apesar de unidos pela mesma causa, os militares, a burguesia e os intelectuais brasileiros se desentendem após a proclamação da república, já que os, militares tinham a visão (positivista) de que eram os mais preparados para governar.
Ao fazer uso do lema “ordem e progresso” os republicanos e, mais a frente, os militares que toma o poder a partir de 1964 colocavam à população brasileira que para haver progresso seria necessário ter a “ordem”, ou seja, todos deveriam respeitar e aceitar as regra imposta pelo governo, qualquer protesto era visto como sinal de contrariedade ao progresso brasileiro.
No regime militar (1964/1984) caberia ao Estado manter a “ordem interna a qualquer peço”, mesmo que para isso fosse necessária a repressão violenta que marcaria esse como um dos piores períodos políticos brasileiro.
Houve no Brasil dois tipos de positivismo: um positivismo ortodoxo, mais conhecido, ligado à Religião da Humanidade e apoiado pelo discípulo de Comte, Pierre Laffitte, onde teve grande influência na formação da república. O casamento civil, o decreto dos feriados e a separação da igreja e o Estado são algumas conquistas dos positivistas no governo; e positivismo heterodoxo, que se aproximava mais do estudo de Augusto Comte que criaram a disciplina de sociologia.

A conformação atual da bandeira do Brasil é um reflexo dessa influência na política nacional. Na bandeira lê-se a máxima política positivista Ordem e Progresso, surgida da frase comteana “ O Amor por princípio e a ordem por base; o progesso por meta” representando as aspirações a uma sociedade justa, fraterna e progressista.

O positivismo e sua influência no Brasil

Exemplos da influência do positivismo podem ser encontradas na nossa literatura, em importantes obras de autores como Aloísio de Azevedo e Raul Pompéia. Este possui em sua obra "o Ateneu" uma clara orientação positivista; essa mesma orientação aparece nas obras "O Mulato", "Casa de Pensão" e  "O Cortiço"  de Aloísio de Azedo.

Essas obras revelam uma natureza que, diferente da encontrada no estilo romântico, se encontra despida de qualquer forma de idealismo, e essa forma de abordar o mundo permite que a sociedade seja analisada e observada, o que por sua vez nos leva à chamada "física social" proposta por Comte.
No âmbito da política essa influência pode ser notada na laicização do Estado, na Abolição da Escravatura e até mesmo na Proclamação da Republica, mas o maior símbolo dessa corrente no Brasil encontra-se na bandeira nacional criada por Raimundo Teixeira Mendes: A máxima "Ordem e Progresso" mostra uma busca por uma sociedade mais justa fraterna e progressista, baseada nos mesmos ideais da Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade e Fraternidade), maior marco baseado no positivismo da história mundial.
Em uma história mais recente foi Vargas quem utilizou ideias positivistas para criar uma legislação trabalhista, visando fazer com que as "engrenagens" da sociedade brasileira funcionassem de melhor maneira.
Com tudo isso é possível perceber que o positivismo de Comte, embora criado no contexto de uma França revolucionária foi de grande utilidade e influência em nosso país, marcando de maneira clara a literatura e a forma de fazer política no Brasil.
A doutrinação que Comte pretendia dirigir ao proletariado europeu, no Brasil, voltou-se para a burguesia, dado que o nosso proletariado era inculto, constituído principalmente pelo escravo e por imigrante, então desenvolveu-se prioritariamente nas Escolas do Exército, gerando o que o Capitão Severino Sombra veio a chamar de "paisanização do nosso exército".
Inspirados na filosofia de Auguste Comte e na sua Teoria dos Três Estágios de Civilização (o teológico, o metafísico e o científico ou positivo), os republicanistas que se opunham aos democratas defendiam uma república provisória como meio para alcançarmos a ordem e o progresso. Segundo eles, somente numa ditadura sociocrática, nos moldes positivistas, seriam resolvidos nossos problemas; para atingirmos tal objetivo era necessária a instauração desse regime ditatorial e, ao combaterem a monarquia esses políticos defendiam o republicanismo.
Devemos destacar as seguintes medidas republicanas sob a influência do positivismo:
ñ a bandeira republicana com o seu dístico ORDEM E PROGRESSO;
ñ a separação da Igreja e do Estado;
ñ o decreto dos feriados;
ñ o casamento civil.
Por ocasião da formação da Assembleia Constituinte reunida um ano após a proclamação da República os positivistas alcançaram reformas, como:
ñ liberdades religiosa e profissional;
ñ proibição do anonimato na imprensa;
ñ abolição de medidas anticlericais e mais tarde, com a reforma educacional de Benjamin Constant, atingiram um elemento precioso para a divulgação e expansão das ideias positivistas.

Também não podemos ignorar que, rapidamente o entusiasmo com as ideias positivistas arrefeceu, pois, não contavam com a simpatia dos velhos políticos do passado nem com a dos que se acomodavam facilmente às exigências da nova situação. A propaganda em favor da República Ditatorial de inspiração comteana, não podia inspirar simpatia aos políticos liberais de tradição monarquista que se haviam apoderado da jovem república e que constituem-se em oposição aos políticos positivistas. 

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

AVALIAÇÃO BIMESTRAL CTPM 2º ano


Olá! Estou acrescentando, para a avaliação bimestral,  mais onze questões àquelas já existentes. Ao todo são 21 questões. Sucesso a todos.
.
Questão 1
“Mas, logo em seguida, adverti  que, enquanto eu queria assim pensar que tudo era falso, cumpria necessariamente que eu, que pensava, fosse alguma coisa. E, notando que esta verdade: eu penso, logo existo, era tão firme e tão certa que todas as mais extravagantes suposições dos céticos não seriam capazes de a abalar, julguei
que podia aceitá-la, sem escrúpulo, como o primeiro princípio da Filosofia que procurava.” DESCARTES. R. Discurso do método. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1987, p. 46.

Considerando a citação acima, é correto afirmar que:
A) na tentativa de pôr tudo em dúvida, Descartes não consegue duvidar da existência do cogito (eu penso).
B) pautando-se pelo exemplo dos céticos, Descartes não pretende encontrar nenhum conhecimento, pois quer apenas pensar que tudo é falso.
C) o pensamento de Descartes se restringe à constatação de que toda informação sensível e corpórea é falsa.
D) na busca do primeiro princípio da Filosofia, Descartes põe o próprio cogito (eu penso) em dúvida.

Questão 2
John Locke, filósofo empirista, opera com o postulado radical de que todos os materiais da mente humana são advindos da experiência. Das quatro alternativas abaixo, três formulam fundamentos básicos da filosofia de J.L. e são decorrentes deste postulado. Uma contém um evidente equívoco. Assinale, portanto, a alternativa INCORRETA, que está em contradição com o postulado acima enunciado.
A)O tato, o olfato, o paladar e a audição não produzem ideias, pois não podem produzir cópias de nada que esteja contido numa experiência.
B) Os órgãos dos sentidos, desde que aptos para suas funções, sempre produzem ideias referentes a certos aspectos da experiência.
C) Todas as percepções da mente humana são impressões ou ideias, e estas percepções são, forçosamente, produtos da experiência.
D) Toda ideia nasce de uma impressão, e toda impressão precede a uma ideia.

3) (UEL-adaptado)“(...) há certos momentos na história da humanidade em que alterações significativas provocam o
que chamamos ruptura de paradigma. Ou seja, os parâmetros que orientam a compreensão do mundo e de nós mesmos deixam de valer em decorrência do imbricamento de inúmeros fatores. E, enquanto não se elabora uma nova ‘visão de mundo’, vive-se um período confuso de indefinição e de perplexidade, decorrente da crise dos valores até então aceitos.”
(ARANHA, M. L. de Arruda e MARTINS, M. H. Pires. Temas de Filosofia. 2.ª ed., São Paulo: Moderna, 1998, p. 46).
Assinale o que for correto.
a) A modernidade, como o conjunto de ideias e de valores que norteou o pensamento e a ação humanos desde o final dos séculos XVI/XVIII, é essencialmente caracterizada pelo empirismo, isto é, uma firme crença no poder da experiência sensível para conhecer e transformar a realidade.
b) A derrota fragorosa da razão moderna resultou em um colapso intelectual que deixou sem paradigmas as ciências, a filosofia e as artes. Por isso, as religiões em franca expansão na atualidade encontram, no pós-modernismo, uma fonte de inspiração duradoura.
c) Chama-se moderno o modo de pensar que se delineia a partir da segunda metade do século XX, caracterizado pelo afastamento e crítica às ideias do medievo, denunciando como presunçosas e ilegítimas muitas das pretensões da razão no conhecimento e na prática.
d) O Iluminismo, movimento intelectual ocorrido no século XVIII, manifesta, de maneira especial, os ideais da
modernidade, fomentando as aspirações de liberdade e progresso harmonizados pela razão “iluminada”.
e) Os avanços tecnológicos influenciam decisivamente a visão de mundo na modernidade. A automação, a
microeletrônica, a informática alteraram o mundo do trabalho e as relações intersubjetivas. O mercado requer
profissionais versáteis; a sociedade, indivíduos informados, críticos e solidários.

4) (PUC-PR) No livro Discurso do método (1537), Descartes estabeleceu algumas regras para bem conduzir a razão.
I. Somente acolher alguma coisa como verdadeira após conhecê-la de maneira evidente.
II. Somente acolher como falso aquilo que foi estabelecido empiricamente como falso.
III. Dividir cada dificuldade a ser examinada em quantas partes forem possíveis e necessárias para resolvê-la.
IV. Refletir, antes de tudo, sobre as dificuldades em seu aspecto global; privilegiar sempre o todo em detrimento das
partes.
V. Conduzir em ordem os pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir,
pouco a pouco, como por degraus, até o conhecimento dos mais complexos compostos.
VI. Conduzir em ordem os pensamentos, começando a examinar as coisas a partir da sua importância moral até chegar
a sua importância histórica.
VII. Fazer, para todos os procedimentos, revisões e enumerações completas para ter certeza de que nada foi omitido.
VIII. Aceitar a fé como fonte do conhecimento a partir da qual tudo pode ser pensado.
IX. Observar a natureza para aprender a pensar.
Correspondem a todas as regras do método apenas os enunciados:
Resp) I, III, V e VII

5) (UEL) É amplamente conhecido, na história da filosofia, como Descartes coloca em dúvida todo o conhecimento, até encontrar um fundamento inabalável; uma espécie de princípio de reconstituição do conhecimento. Neste processo,
Descartes elege uma regra metodológica que o orientará na busca de novas verdades. A regra geral que orientará
Descartes na busca de novas verdades é:
a) a possibilidade do mundo externo.
b) a possibilidade de unirmos corpo e alma.
c) a clareza e distinção.
d) a certeza dos juízos matemáticos.
e) a ideia de que corpo e alma são entidades distintas

6) (UEL) Leia o seguinte texto de Descartes:
[...] considerei em geral o que é necessário a uma proposição para ser verdadeira e certa, pois, como acabara de
encontrar uma proposição que eu sabia sê-lo inteiramente, pensei que devia saber igualmente em que consiste essa
certeza. E, tendo percebido que nada há no “penso, logo existo” que me assegure que digo a verdade, exceto que vejo
muito claramente que, para pensar, é preciso existir, pensei poder tomar por regra geral que as coisas que concebemos
clara e distintamente são todas verdadeiras.
(DESCARTES, R. Discurso do método. Tradução de Elza Moreira Marcelina. Brasília: Editora da Universidade de Brasília; São Paulo: Ática, 1989. p.57.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento cartesiano, é correto afirmar:
a) Para Descartes, a proposição “penso, logo existo” não pode ser considerada como uma proposição indubitavelmente
verdadeira.
b) Embora seja verdadeira, a proposição “penso, logo existo” é uma tautologia inútil no contexto da filosofia cartesiana.
c) Tomando como base a proposição "penso, logo existo", Descartes conclui que o que é necessário para que uma proposição qualquer seja verdadeira é que ela enuncie algo que possa ser concebido clara e distintamente.
d) Descartes é um filósofo cético, uma vez que afirma que não é possível se ter certeza sobre a verdade de qualquer
proposição.
e) Tomando como exemplo a proposição "penso, logo existo", Descartes conclui que uma proposição qualquer só pode ser considerada como verdadeira se ela tiver sido provada com base na experiência.

7) (UEM) “Todas as ideias derivam da sensação ou reflexão. Suponhamos que a mente é, como dissemos, um papel
em branco, desprovida de todos os caracteres, sem quaisquer ideias; como ela será suprida? (...) De onde apreende
todos os materiais da razão e do conhecimento? A isso respondo, numa palavra, da experiência. Todo o nosso
conhecimento está nela fundado, e dela deriva fundamentalmente o próprio conhecimento.”
(LOCKE, John. Ensaio acerca do entendimento humano. São Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 165).
Assinale o que for correto.
01) Para John Locke, embora nosso conhecimento se origine na experiência, nem todo ele deriva da experiência. No
entendimento, existem ideias inatas abstraídas das coisas pela reflexão.
02) Como seguidor de Descartes, John Locke assume a diferença entre conhecimento verdadeiro, que é puramente
intelectual e infalível, e conhecimento sensível, que, por depender da sensação, é suscetível de erro.
04) John Locke é o iniciador da teoria do conhecimento em sentido estrito, pois se propôs, no Ensaio acerca do
entendimento humano, a investigar explicitamente a natureza, a origem e o alcance do conhecimento humano.
08) Para John Locke, todo nosso conhecimento provém e se fundamenta na experiência. As impressões formam as
ideias simples; a reflexão sobre as ideias simples, ao combiná-las, formam ideias complexas, como substância, Deus,
alma etc.
16) John Locke distingue as qualidades do objeto em qualidades primárias (solidez, extensão, movimento etc.) e
qualidades secundárias (cor, odor, sabor etc.); as primeiras existem realmente nas coisas, as segundas são relativas e
subjetivas.
Resp: 04-08-16

8) (UFU) Leia atentamente o texto abaixo sobre a teoria do hábito em David Hume.
E é certo que estamos aventando aqui uma proposição que, se não é verdadeira, é pelo menos muito inteligível, ao
afirmarmos que, após a conjunção constante de dois objetos – calor e chama, por exemplo, ou peso e solidez –, é
exclusivamente o hábito que nos faz esperar um deles a partir do aparecimento do outro.
(HUME, D. Investigações sobre o entendimento humano e sobre os princípios da moral. São Paulo: Editora UNESP,
2004. p. 75.)
Com base na Teoria de Hume e no texto acima, marque a alternativa INCORRETA, ou seja, aquela que de modo algum pode ser uma interpretação adequada desse texto.
a) A conjunção constante entre dois objetos explica a força do hábito e, conseqüentemente, o procedimento da
inferência.
b) A hipótese do hábito é conseqüente com a teoria de Hume, de que todo o nosso conhecimento é construído por
experiência e observação.
c) Se a causalidade fosse construída a priori e de modo necessário, não seria preciso recorrer à experiência e à
repetição para que de uma causa fosse extraído o respectivo efeito.
d) O hábito jamais pode ser a base da inferência. Em virtude disso, os conceitos de causa e efeito jamais podem se aplicar a qualquer objeto da experiência.

9) (UEM) “O hábito é, pois, o grande guia da vida humana. É aquele princípio único que faz com que nossa experiência nos seja útil e nos leve a esperar, no futuro, uma sequência de acontecimentos semelhante às que se verificaram no passado. Sem a ação do hábito, ignoraríamos completamente toda questão de fato além do que está imediatamente presente à memória ou aos sentidos. Jamais saberíamos como adequar os meios aos fins ou como utilizar os nossos poderes naturais na produção de um efeito qualquer. Seria o fim imediato de toda a ação, assim como da maior parte da especulação.”
(HUME, David. Investigação sobre o entendimento humano. São Paulo: Abril Cultural, 1973, pp. 145-146. Os
Pensadores).
Com base nesse texto e no seu conhecimento sobre a Filosofia de Hume, assinale o que for correto.
01) Segundo Hume, entre um fenômeno e outro não há conexão causal necessária que possa ser verificada na
experiência; é o hábito que explica a noção da relação causa e efeito: por termos visto, várias vezes juntos, dois objetos ou fatos – por exemplo, calor e chama, peso e solidez –, somos levados, pelo costume, a prever um quando o outro se apresenta.
02) Como representante do racionalismo, Hume afirmou que o princípio de causalidade, lei inexorável que regula todos os acontecimentos da natureza, é inferido da experiência por um processo de raciocínio.
04) Para Hume, o hábito é um falso guia; se não nos fiarmos na razão, fonte do conhecimento verdadeiro, e nos
deixarmos conduzir pelo costume, erraremos inevitavelmente em nossas ações e investigações.
08) É o hábito que nos permite ultrapassar os dados empíricos, os quais possuímos seja na forma de impressão seja na forma de ideias, e afirmar mais do que aquilo o qual pode ser alcançado na experiência imediata.
16) A ideia de causa é apenas uma ideia geral constituída pela associação de ideias e baseada na crença formada pelo hábito.

10) (UEL) Leia o texto a seguir:
Certamente, temos aqui ao menos uma proposição bem inteligível, senão uma verdade, quando afirmamos que, depois
da conjunção constante de dois objetos, por exemplo, calor e chama, peso e solidez, unicamente o costume nos
determina a esperar um devido ao aparecimento do outro. Parece que esta hipótese é a única que explica a dificuldade
que temos de, em mil casos, tirar uma conclusão que não somos capazes de tirar de um só caso, que não discrepa em
nenhum aspecto dos outros. A razão não é capaz de semelhante variação. As conclusões tiradas por ela, ao considerar
um círculo, são as mesmas que formaria examinando todos os círculos do universo. Mas ninguém, tendo visto somente um corpo se mover depois de ter sido impulsionado por outro, poderia inferir que todos os demais corpos se moveriam depois de receberem impulso igual. Portanto, todas as inferências tiradas da experiência são efeitos do costume e não do raciocínio.
(HUME, D. Investigação acerca do entendimento humano. tradução de Anoar Aiex. São Paulo: Nova Cultural, 1999. pp.61-62.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento de David Hume, é correto afirmar:
a) A razão, para Hume, é incapaz de demonstrar proposições matemáticas, como, por exemplo, uma proposição da
geometria acerca de um círculo.
b) Hume defende que todo tipo de conhecimento, matemático ou experimental, é obtido mediante o uso da razão, e pode ser justificado com base nas operações do raciocínio.
c) É necessário examinar um grande número de círculos, de acordo com Hume, para se poder concluir, por exemplo,
que a área de um círculo qualquer é igual a ð multiplicado pelo quadrado do raio desse círculo.
d) Hume pode ser classificado como um filósofo cético, no sentido de que ele defende a impossibilidade de se obter
qualquer tipo de conhecimento com base na razão.
e) Segundo Hume, somente o costume, e não a razão, pode ser apontado como sendo o responsável pelas conclusões acerca da relação de causa e efeito, às quais as pessoas chegam com base na experiência.

11) (UEL) Leia o texto a seguir.
Como o costume nos determina a transferir o passado para o futuro em todas as nossas inferências, esperamos —se o
passado tem sido inteiramente regular e uniforme—o mesmo evento com a máxima segurança e não toleramos qualquer suposição contrária. Mas, se temos encontrado que diferentes efeitos acompanham causas que em aparência são exatamente similares, todos estes efeitos variados devem apresentar-se ao espírito ao transferir o passado para o futuro, e devemos considerá-los quando determinamos a probabilidade do evento.
(HUME, D. Investigações acerca do entendimento humano. Tradução de Anoar Aiex. São Paulo: Nova Cultural, 1996, p.73.
Com base no texto e nos conhecimentos sobre Hume, é correto afirmar:
a) Hume procura demonstrar o cálculo matemático de probabilidades
b) Hume procura mostrar o mecanismo psicológico pelo qual a crença se fixa na imaginação.
c) Para Hume, há uma conexão necessária entre causa e efeito.
d) Para Hume, as inferências causais são a priori.

e) Hume procura mostrar que crença e ficção produzem o mesmo efeito na imaginação humana.
Atividade
01. Bacon elaborou uma teoria conhecida como a crítica dos ídolos. De acordo com o filósofo, existem quatro tipos de ídolos ou de imagens que formam opiniões cristalizadas e preconceitos, que impedem o conhecimento da verdade.
São eles:
(A) ídolos da caverna, ídolos da novela, ídolos do teatro e ídolos da tribo.
(B) ídolos da caverna, ídolos do fórum, ídolos do teatro e ídolos da tribo.
(C) ídolos urbanos, ídolos do fórum, ídolos do teatro e ídolos da tribo.
(D) ídolos urbanos, ídolos rurais, ídolos da tribo e ídolos da caverna.
(E) ídolos da novela, ídolos do teatro, ídolos urbanos e ídolos da caverna.
02. Contrariamente aos defensores do inatismo, os defensores do empirismo afirmam que a razão, a verdade e as ideias racionais
(A) são adquiridas por nós por meio da experiência.
(B) são adquiridas por nós por meio da nossa capacidade de argumentar.
(C) são adquiridas por nós por meio das nossas categorias cognitivas.
(D) não podem ser adquiridas por nós.
(E) são adquiridas por nós por meio da imaginação.
03. Uma das mais famosas passagens da filosofia ocidental encontra-se em Kant: Duas coisas enchem-me o espírito de admiração e reverência sempre novas e crescentes, quanto mais frequente e longamente o pensamento nelas se detém: o céu estrelado acima de mim e a lei moral em mim.
Sobre
essa afirmação, assinale a alternativa correta.
(A) Trata-se de um elogio às tendências dogmáticas do pensamento moderno.
(B) Kant está celebrando a importância do empirismo filosófico e sua concepção da mente humana como tábula rasa.
(C) Kant está apontando a possibilidade do homem de conhecer "coisas-em-si".
(D) O pensamento de Kant revela por essa afirmação sua dívida à concepção platônica da existência de um mundo inteligível de formas perfeitas.
(E) A afirmação articula duas dimensões distintas da realidade humana abordadas nas obras Crítica da razão pura e Crítica da razão prática.
04. São as duas grandes orientações da teoria do conhecimento:
a) Física e Metafísica.
b) Ação e Reação.
c) Racionalismo e Empirismo.
d) Crítica e Autocrítica.
05. De acordo com Francis Bacon, existem quatro tipos de ídolos e de imagens que formam opiniões cristalizadas e preconceitos que impedem o conhecimento da verdade. Não é um deles:
a) Ídolos da Caverna.
b) Ídolos do Fórum.
c) Ídolos da Fama.
d) Ídolos da Tribo.

06. Descartes localizava a origem do erro em duas atitudes que chamou de atitudes infantis. São eles:
a) Determinação e Impulso.
b) Prevenção e Precipitação.
c) Antecipação e Decorrência.
d) Condicionamento e Ímpeto.
07. Kant realizou uma grande síntese da filosofia moderna, unindo com seu _____ iluminista, o empirismo _____ e o _____ cartesiano.
Qual a alternativa em que as palavras preenchem adequadamente as lacunas acima:
a) Criticismo - Humeano - Idealismo.
b) Ceticismo - Aristotélico - Cinismo.
c) Racionalismo - Platônico - Ceticismo.
d) Racionalismo - Socrático - Idealismo.

08. Teoria epistemológica que afirma a radical derivação, direta ou indireta, de todo conhecimento da experiência sensível, seja ele interna ou externa:
a) Racionalismo.
b) Iluminismo.
c) Postulado.
d) Empirismo.
09. Conceito Kantiano que designa a essência, a coisa em si, independente de qualquer relação a um sujeito:
a) Fenômeno.
b) Número.
c) Subjetivismo.
d) Inatismo.
10. Subjetivismo pode ser definido como:
a) Toda a manifestação dos corpos naturais é o fato observável.
b) Concepção epistemológica de acordo com a qual algumas idéias são inatas.
c) Quando as idéias não dependem de nenhuma experiência anterior.
d) Posição filosófica que privilegia a contribuição e a participação da subjetividade no processo do conhecimento.